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Baseado em resultados nos EUA e China, CRM-AM indica uso de cloroquina para Covid-19

A resolução vai contrária aos estudos feitos pela Fundação de Medicina Tropical que aponta que a eficácia no tratamento do Covid-19 é de 5%


O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM) divulgou uma portaria em que indica uso de cloroquina no tratamento do Covid-19. A resolução 101/2020, aprovada nesta quarta-feira, regulamenta a conduta da classe médica diante da pandemia do novo coronavírus, estabelecendo o uso da cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19.

A resolução determina que o médico encarregado de pacientes portadores de Covid-19 possa indicar o tratamento a ser utilizado em cada caso, inclusive com o uso da cloroquina e a hidroxicloroquina, mesmo em pacientes diagnosticados como casos leves, moderados e graves de pneumonia pelo vírus, associada ou não à azitromicina, desde que não possuam contraindicação ao uso dessas substâncias.

Diferente dos resultados apresentados na segunda-feira (06/04) pelo médico infectologista Marcus Lacerda, da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), responsável pelo estudo pioneiro aprovado no dia 23 de março pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, os dados usados pelo resultado nos EUA e na China, foram abaixo do esperado.

De acordo com o pesquisador, o protocolo de pesquisa clínica liderado pelo Amazonas já foi aplicado com 81 pacientes internados no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Delphina Aziz e tem o objetivo de avaliar a segurança e eficácia de doses diferentes da cloroquina, remédio utilizado no tratamento da malária há mais de 70 anos.

“Nós testamos duas doses de cloroquina: uma dose que tem sido usada pelos americanos e outros países, e uma dose que os chineses usavam, que é uma dose muito alta, mas que foi usada no início da epidemia na China. Não existia nenhum trabalho, até então, comparando as doses para ver a toxicidade dessa dose maior”, explicou Lacerda, citando outros estudos em andamento.

Segundo ele, já foi possível demonstrar que o uso da dose mais alta da cloroquina por um período de 10 dias apresenta maior risco de complicações para os pacientes, podendo acarretar arritmias graves. “Então a gente está desaconselhando que essas doses altas sejam usadas. Pela primeira vez no mundo, na verdade, alguém teve o cuidado de fazer o monitoramento cardíaco dessas pessoas e ver que a dose era mais tóxica”, afirmou o pesquisador.

No entanto, a nota do CREMAM esclarece ainda que os profissionais, ao assistirem a qualquer paciente, devem, obrigatoriamente, medir os riscos do uso dos medicamentos e informá-lo sobre o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e os objetivos do tratamento.

Veja a resolução na íntegra

RESOLUÇÃO CREMAM nº 101 /2020

Recomendar o uso de cloroquina e a hidroxicloroquina CONSIDERANDO as atribuições que lhe confere a Lei 3.268, de 30 de setembro de 1957 regulamentada pelo Decreto 44.045, de 19 de julho de 1958 e, CONSIDERANDO a necessidade de regulamentar a conduta da classe médica frente a pandemia pelo COVID-19;
CONSIDERANDO as altas taxas de pacientes infectados com o COVID-19 confirmados no Brasil;

CONSIDERANDO os resultados favoráveis obtidos em estudos realizados em hospitais asiáticos e norte-americanos com o uso de cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com sintomas moderados de COVID-19;

CONSIDERANDO que os estudos têm demonstrado que a cloroquina e a hidroxicloroquina tem se revelado eficazes no tratamento de pacientes com COVID-19 diagnosticados como casos leves, moderados e graves;
CONSIDERANDO que os estudos preliminares realizados no Brasil indicam a eficácia do tratamento com o uso de cloroquina e hidroxicloroquina no combate à infecção pelo COVID-19;
RESOLVE:
Art. 1º. Determinar que o médico encarregado de pacientes portadores de COVID-19 possa indicar o tratamento a ser utilizado em cada caso, inclusive com o uso da cloroquina e a hidroxicloroquina, mesmo em pacientes diagnosticados como casos leves, moderados e graves de pneumonia por COVID-19, associada ou não à Azitromicina, desde que não possuam contraindicação ao uso dessas substâncias.
Art. 2º. Esclarecer que os profissionais, ao assistir a qualquer paciente, devem, obrigatoriamente, medir os riscos do uso dos medicamentos e informá-lo sobre o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e os objetivos do tratamento.
Art. 3º. Recomendar que as prescrições de medicamento à base de cloroquina ou hidroxicloroquina sejam feitas em receita especial de duas vias, conforme regra prescrita pela ANVISA na RDC 351/2020, que inclui esses medicamentos na lista de substâncias controladas.
Art. 4º. Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação.

Manaus, 08 de abril de 2020.

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